sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

4

Levantei-me e fui até à sala. A sala era pequena e era junta com a cozinha. Na cozinha havia uma mesa, onde comíamos. Era muito pequeno, mas era agradável. Ela estava sentada na sala, a ver televisão, e eu fui-me sentar perto dela.
- Amor, já acordaste? ( sentei-me a seu lado, e ela colocou as suas pernas sobre o meu colo)
- Já pois. Pensei que estivesses ao meu lado, mas não.
- Eu nem cheguei a adormecer, então vim para aqui. Perdoa-me ( sorriu )
De repente ouço o seu telemóvel a tocar, então ela levanta-se e vai atender.
- Quem é?
- O meu pai... Vou atender.
Ela atende e passa por volta de 5 minutos a falar com o pai. Depois, cabisbaixa, triste chega ao sofá e tira a manta que a tapava anteriormente.
- A minha mãe está no hospital.
Começa a chorar. E eu agarro-a, e abraço-a, e tento consolá-la.
- Catarina, que se passou? ( Não tive resposta ) Vá lá, tem calma.
- A minha mãe está no hospital ( Limpou as lágrimas ) Teve um AVC. ( Deitou a sua cabeça no meu ombro) Protege-me, sempre.
- E agora? Que vais fazer?
- Tenho de ir para casa amor. Tenho de ir para Lisboa. Vai ter de ser. Não posso ficar aqui sabendo o estado em que a minha mãe está.
- Sim amor, claro. Vai sim. ( Ela agarrou a minha mão, e olhou para mim )
- Vens comigo? ( Fiquei estupefacto e ela percebeu que aquilo tinha sido inesperado) Preciso mesmo de ti a meu lado. Preciso mesmo que venhas comigo.
- Não sei se posso... Tenho de falar com os meus pais primeiro. Mas eu quero ir. A sério que quero.
Ela deu-me um beijo na bochecha.
- Eu sei que vais ( sorriu com aquele jeito de criança que tem)
- Ora... És de mais.
- Sim, está bem. Agarra-me mas é e cala-te.
Eram agora, mais ou menos, 23:00 e os seus olhos já mal aguentavam a luz, aquela imensa luz, que apesar de ser pouca já magoava os olhos dela,
- Amor, vamos dormir.
Ela não respondeu, e eu levantei-me e com cuidado levei-a ao colo até à cama, que estava desfeita, tal como Catarina.
E agora? Que iria eu fazer? O que eu sabia é que queria ficar com ela, mas seria assim tanto ao ponto de ir com ela conhecer a família? Além disso, não sabia se poderia ir. Não por causa dos meus pais, mas porque não tinha dinheiro. São tempos complicados, mas eu não a queria desapontar. Então pensei, e pensei, e voltei a pensar. E adormeci eram 3:26. A Catarina nessa altura já tinha os braços em cima do meu tronco, e eu ainda sentia que devia fazer alguma coisa, contudo, adormeci.
Eram 9:22 quando ela me veio acordar. Cheirava a leite com café, torradas com manteiga, chocolate quente e o seu perfume.

Sem comentários:

Enviar um comentário