sábado, 22 de janeiro de 2011

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sempre senti mais do que ela sentiu por mim, para ela eu era como um irmão.
Um dia estávamos a falar, no jardim, era inverno e estava muito frio. Ela estava de casaco, luvas, cachecol, um sorriso nos lábios, calças e sapatos.Cheirava muito bem, tenho de dizer que naquele momento até fiquei indignado por aquele cheiro maravilhoso.
- Bem, temos que combinar alguma coisa. Não te esqueças que eu agora estou sempre sozinha lá em casa. É o que dá andar na universidade.
- Por mim... Desde que não te importes. Mas se eu for lá, aviso já que faço eu o almoço.
- E o jantar. (agarra a minha mão)
- O que quiseres amor.
- Depois podes dormir na minha cama. (fiquei estupefacto)
- Não! Tu dormes na tua cama. Eu durmo no sofá. Eu não...
- Dormes na cama sim, eu durmo no sofá. Não sejas teimoso.
- Ora, não durmo, já te disse. Eu durmo no sofá. Não sejas teimosa tu. Não quero que durmas mal por minha culpa, se não, não vou dormir lá.
- Pronto, como queiras. Então vamos?
- Hoje? Já? (ri-me)
- Claro, pensavas que era quando? Amanhã podemos já cá não estar.
- Não sei, pensei que íamos ver melhor isso.
- Os planos correm sempre mal, vá, vamos.
Levantamos-nos e desta vez ela não agarrou na minha mão. Falamos durante o caminho todo, sorrimos, ri-mos, coisas de adolescentes... Chegamos a casa dela. E ela convidou-me a entrar.
- Anda. (puxou-me pela mão, fui de encontra ela. Ficámos a olhar um para o outro, bem juntinhos. Depois ela afastou-se de mim) E que tal se fossemos fazendo já as camas e tudo um pouco?
- Bem, por mim... Mas aviso já, e tu deves ter reparado, não trago muda de roupa nenhuma... ( olhei para ela )
- Não te preocupes com isso, vestes alguma coisa minha... ( sorriu )
- Pois... Problema Catarina : Não durmo de pijama. ( fiz ar de gozo )
- Então, estás à vontade! "Mi casa, tu casa", Vá anda.
Fizemos as camas, metemos roupa em cima do sofá, e depois sentamos-nos nele. Ela ligou a TV e encostou a cabeça no meu ombro, ficamos assim por 15 minutos. Até que ela se levantou.
- Bem, vamos fazer o jantar?
- Yap, vamos lá.
Fizemos o jantar, muito bom. Depois jantamos na cozinha e falamos da universidade, dos amigos, de televisão, de planos para o futuro.
- Bem, se não te importas vou para a cama.
- Não, para te ser sincero, também tenho sono... Estou muito cansado. Mas foi um dia muito bom, obrigado por tudo Catarina. A sério. Tens sido uma grande pessoa para mim, na minha vida.
- Ora essa. Não tens de agradecer. ( Deu-me um beijinho) Até amanhã Gabriel. Dorme bem.
Foi-se deitar. E eu ainda fiquei a pensar naquilo tudo. No que estava a acontecer. Fui para a sala, liguei a TV e despi-me, fiquei de boxers, blusa e meias. Deitei-me, e vi TV uma hora e meia, por aí. Já não me lembro.
Tinha fome, e decidi ir comer um iogurte ou umas bolachas. Então, levantei-me sem fazer barulho nenhum.
Tirei o iogurte e comecei a bebe-lo, quando ela apareceu do quarto. Ajeitou o cabelo.
- Ainda acordado?
- Sim, fiquei com fome, então vim beber um iogurte, espero que não te importes. ( Ela tirou um também do frigorífico)
- Não, claro que não. Estás à vontade. Não te volto a dizer isso. ( Começou a beber o iogurte )
Ela, olhou-me tão intensamente que eu a sentia dentro de mim. Então, foi nisto que ela se aproximou de mim, pôs a mão no meu peito, o iogurte dela e o meu na mesa, e beijou-me. A sua boca sabia, literalmente, a morango.
- Sempre quis fazer isto, desde que te conheci.
- Pensei que era só um amigo... Mas... ( tapou-me os lábios com os dedos)
- Tu és o meu plano para o futuro ( E sorriu um pouco envergonhada)
Bebemos o resto dos iogurtes e fomos para o quarto dela, ficamos a noite a falar sobre tudo isto.
- Nunca pensei que isto fosse acontecer, para te ser sincero, mas eu queria mais que tudo. ( Ela pôs a cabeça dela no meu peito) Nunca me senti tão bem com ninguém como me sinto contigo, é como se tu fosses outra parte de mim.
- Desculpa se isto foi muito cedo, ou tarde, mas eu estava confusa, e eu não sabia o que dizer, o que fazer até! Eu pensei que isto passasse, porque tu és um bom homem, o homem que eu sempre quis, e eu sei que se viver contigo, tu vais dar-me tudo... mas não foi. E no entanto tu és o homem que eu sempre quis e agora tenho. ( Pausa ) Não tenho?
- Tens! Hoje e até a minha vida acabar. ( sorri )
- Agora sou feliz, assim, contigo aqui. Não no sofá. (rimo-nos) Ela adormeceu, e eu também.

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