quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

noite que não é noite

Refresquei a cara, sai da casa de banho e entrei no quarto. Estavas deitada, dormias profundamente, tinhas o braço em cima da barriga e o outro ao lado do teu corpo, as pernas estavam distante,mas nada de mais. Então, sentei-me à beira da cama e olhei para ti.
Se o tempo não tivesse passado, se as coisas não tivessem acontecido, se eu não te tivesse conhecido, eu não seria assim, não estaria aqui, não sabia o que sei. Sei bem que o que temos talvez não seja para sempre, mas que quero lutar para que seja. Eu quero lutar pelo impossível. Isso faz de mim menos homem? Menos pessoa? Eu quero acreditar que posso acreditar que o dia de amanhã será melhor. E quando tu estás comigo tudo é bem melhor. Já tivemos as nossas discussões, e eu sei que esta noite te disse algo com que ficaste magoada, mas foi sem querer. Não o queria dizer. Estava muito agitado e tinha medo de te perder.
Peço desculpa. Deixaste-te dormir a chorar, e eu dormi no sofá. Eu não sabia que fazer, então deixei-te chorar, mas neste momento estou aqui à espera que acordes para te dizer a coisa mais importante da minha vida. Sabes, a primeira vez que te agarrei na mão, sorriste de uma forma tão perfeita que não resisti em beijar-te. Foi de mais! Foi único, e tu, tu sempre o serás. És tudo o que eu podia pedir, mas eu nunca te pedi. Apareces-te sem eu dar por isso, e quando dei por mim, já estava apaixonado. O meu problema, e tenho de ser sincero, são os ciúmes que tenho. E perdoa-me por te ter dito que me tinhas traído. Eu sei que não o fizeste, eu bem o sei. Mas escapou-me. Tapa-me esta boca maldosa, que diz disparates meu amor! Tapa!
Sela-a com fita e olha-me nos olhos e diz-me que me amas, não te peço mais nada. Não peço mais nada. Faz isso.
És tudo o que eu podia querer, nos meus sonhos eras tu que aparecia, eras mesmo tu. Eu sei que o que disse foi incorrecto, mas por vezes temos que dizer as coisas que dissemos para demonstrarmos que estamos em dúvida, e eu estava um pouco. Pensei que não me querias mais, que já não me querias mais a teu lado. Tanto trabalho, tantas chamadas, tantas noites fora de casa, eu sei que também trabalho, mas eu pensei mesmo que já não te interessava, e afinal de conta, errei. É por nós que trabalhas mais, e estavas a preparar uma festa para mim, por ter sido promovido a chefe do departamento. E eu... Nem sei que te diga. Fiz tudo mal. Nunca devia ter duvidado de ti.
Acordas agora e olhas para mim.
- Desculpa.
E ficas a olhar para mim, não disses nada, então eu inclino-me, para te beijar.
- Eu amo-te. Entende isso. A ti. Só.
Beijei-te, e deitei-me a teu lado.
- Ainda estou chateada contigo, para que fique esclarecido, mas não consigo passar uma noite sem ti. Uma noite sem ti, não é noite... Por isso, dorme. Fecha os olhos.
Olhei para ti e sorri e tu sorriste também.

Sem comentários:

Enviar um comentário