A minha tia, que acabou por se preocupar, veio ver se estávamos bem, e deu comigo e com ela naquele estado.
- Está tudo bem Catarina? - Perguntou ela, sentando-se a meu lado e dando-lhe a mão, a qual eu estivera colado uma hora.
- Não Dona Joana. A minha mãe morreu.- A minha tia olhou para mim indignada e chocada. Apertou a mão de Catarina tão fortemente que eu senti.
- E o teu pai?
- O meu pai? O meu vem-me cá buscar.
- Vem nada! Eu vou-lhe ligar e eu levo-te a Lisboa, ele não vem naquele estado conduzir, nem penses.
- Dona Joana, não, não - sentou-se no sofá, continuava de mão dada com a minha tia, aquele conforto era bem melhor que o meu, e eu notava-o tão facilmente. - Não quero que faça isso, você não tem que fazer isso.
- Por acaso sempre me ensinaram que devemos ajudar quem precisa, e tu precisas, aliás, o teu pai precisa! E eu estou-me a dispor, porque sei o que custa perder a mãe. Por isso, espero que compreendas, e mesmo que não, telefona ao teu pai e diz-lhe isso. Não há problema para mim, não tem porque haver.
- Dona Joana, não é necessário estar a fazer uma grande viagem só por minha causa. Eu posso ir de autocarro, é mais barato e nenhum dos dois tem que conduzir. Está bem?
- Pronto, tu é que sabes. Mas se mudares de ideias... Estou aqui!
- Eu sei, obrigada Dona Joana. Muito obrigada.
- E quando lá chegares manda uma mensagem à malta, sim?
- Claro que mando, não se preocupes. - A minha tia levantou-se e deu-lhe um beijo na testa e ela sorriu e derramou uma lágrima.
- Menina linda. Se precisares de alguma coisa, já sabes.
A Catarina agradeceu-lhe.
- Catarina, queres ir para casa?
- Sim, amor. Mas eu vou a pé. Está bem?
- Está bem, eu vou contigo.
- Quero ir sozinha Gabriel...
- Sozinha não vais, já sabes isso. Já sabes que não quero que andes sozinha. Anda, eu vou contigo, e antes, vamos comer qualquer.
- Oh amor.
Tapei-lhe os lábios carnudos e sensuais, e ela sorriu. Beijei-a.
- Amo-te muito. Anda. Tia, já volto. Vou levar a princesa a casa, mas antes vamos comer alguma coisa.
- Está bem meninos, juízinho. E Catarina: tem força! - A minha tia sorriu, e reparei que a Catarina também, e aquela sensação aqueceu-me de súbito uma parte do coração que nunca existiu.
Saímos de casa.
- Que queres jantar? Podes escolher tu.
- Gabriel, não estou com muita disposição para ir a um restaurante... Desculpa.
- Pedimos! Há pizza... E outras coisas. - Sorri.
- Pode ser, sim. Tudo bem, amor. Só quero dormir.
- Antes tens de comer, não vais dormir sem comer. Isso faz mal. Comes e depois dormes.
- Oh... Está bem. Obrigada amor. Que seria de mim sem ti?
Chegamos agora ao seu apartamento, ela descalçou-se e disse-me para eu o fazer, e eu, fiz o mandado. Peguei no folheto do restaurante, que levava comida até as casas das pessoas.
- Que queres comer? - não tive resposta - Catarina, que queres comer?
- Que foi?
- Estou-te a perguntar que queres comer.
- Sei lá. Escolhe tu.
- Está bem, escusas de responder assim. E vem aqui escolher que queres comer.
Ela foi e escolheu uma pizza de atum, de seguida, eu liguei para lá e pedi.
obrigada (:
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